quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

(M) Inauguração diária

Você já participou de alguma inauguração? Já reparou como tudo é bonito, festivo, em dia de inauguração?

As pessoas usam as suas melhores roupas e seus melhores perfumes.

Os sorrisos estão por toda parte. E todos os detalhes são minuciosamente cuidados. As cores das flores devem combinar com o restante da decoração, a música não pode estar tão alta que perturbe o ambiente.

O cafezinho tem um sabor especial. A recepção é impecável. Enfim, tudo é maravilhoso em dia de inauguração.

A mercadoria se apresenta nos balcões, nas vitrines, nas mesas, harmoniosamente disposta. Um atrativo para os olhos.

Entretanto, no dia seguinte, o mesmo local, as mesmas pessoas, a mesma mercadoria não tem o mesmo encanto. À medida que os dias se escoam, os funcionários vão se mostrando cansados e já não atendem tão bem a clientela.

O cafezinho nem sempre está gostoso. As flores não são trocadas com regularidade e apresentam a tristeza amarelada do ambiente em que se encontram. Parece que tudo vai assumindo um ar de mesmice.

Assim é na nossa vida, muitas vezes. Chega um momento em que nos permitimos cair na monotonia e nos esquecemos da grandeza da vida que vivemos e da riqueza de tudo que nos cerca.

Erguemo-nos pela manhã, trabalhamos, estudamos, nos alimentamos quase que mecanicamente.

Certo, a vida não é uma eterna festa, mas não pode ser simplesmente um amontoado de dias que se sucedem.

Importante seria que pensássemos em nossa vida em termos de uma constante inauguração. Ter, a cada despertar, algo novo em mente.

Um projeto diferente. Criar situações que nos revigorem as disposições para a alegria. Lembrar de detalhes:

mandar flores para alguém, mesmo que não seja dia de aniversário.

Pode-se criar o dia de mandar flores. Escrever um bilhete de agradecimento. Mesmo que seja só para agradecer o fato de ter alguém por amigo, irmão.

Fazer uma vista inesperada.

Enriquecer nossas amizades com contatos freqüentes e cordiais. Promover um encontro com os vizinhos. Colecionar frases positivas.

Recomeçar estudos interrompidos. Iniciar outras etapas de aprendizado. Não desistir nunca de aprender.

Criar novas idéias. Fazer uma meditação diária sobre os objetivos da vida.

E não esquecer nunca de que para ser dia de inauguração tem que se estar feliz, ter esperança no futuro, sentir que está se fazendo algo novo e desafiador.

Em síntese: dar sentido à própria vida.

* * *

Cada dia que surge, renovado, nos traz as oportunidades de trabalho, aprendizado, enriquecimento do Espírito.

Na forja das horas amadurecemos nossos conceitos, reformulamos idéias e ideais.

Enquanto se multiplicam as semanas e se somam os meses, na Terra que nos acolheu para as experiências do progresso, invistamos na vida e perseveremos na execução dos nossos planos de felicidade, sem receios infundados, nem desânimo injustificado.

Inauguremos nossa vida a cada dia, todos os dias.

(M) A crença do não-merecimento


 

por Andre Lima - andrelimareiki@gmail.com

Imagine que você adota um cãozinho vira-lata. Você o leva para a sua casa, alimenta, dá banho, trata, leva ao veterinário e o enche de carinho. Será que esse cãozinho iria pensar "eu não mereço nada disso, meus amigos na rua passando fome e eu aqui com esse luxo todo..."

Imagine tudo isso sendo falado em um tom dramático de culpa e "humildade". Imagine o cãozinho se sabotando. Não come mais a ração e pede para o dono comprar outra mais baratinha. Diz também que não precisa de tanto assim. Pra que tanto conforto? E os colegas da rua que não têm nada disso? E o que ele fez para merecer tudo de bom? Por que outros não tem acesso às mesmas coisas? É claro que um cachorro jamais agiria dessa forma. Ele apenas aceita e aproveita tudo que lhe é ofertado. O animal não precisa de razões para justificar ter uma vida boa. Já nós, seres humanos, temos uma  tendência de precisar encontrar motivos que justifiquem as coisas que temos ou ganhamos: só me sinto confortável  em ter muito se eu trabalhar muito; só consigo me sentir bem em ter uma vida boa se eu disser que passei muitos anos estudando e trabalhando para conquistar esse resultado; se eu não me sacrifico, não me sinto no direito às melhores coisas; só posso me permitir cobrar um preço mais alto se eu estudar tantos anos a mais.

Quando a criança nasce, ela não questiona se merece ou não o que recebe. No entanto, quando o pensamento vai se desenvolvendo e torna a estrutura do ego mais complexa, a mente começa a comparar, julgar e vão surgindo, em uma idade ainda muito tenra, os pensamentos de não merecimento e culpa. Inicialmente, a criança vai se comparar com os irmãos, observando se eles têm mais ou menos, se são felizes ou infelizes. Irá também começar a observar o sofrimento dos pais. E conforme for a situação familiar, quanto maior for o sofrimento, maior a tendência de se desenvolver sentimentos de culpa em ser feliz, culpa em ter, culpa em receber. Ao crescer um pouco mais, a criança irá também começar a ter contato com as pessoas do mundo exterior e seus sofrimentos, o que poderá alimentar ainda mais a sensação de culpa e não merecimento em ter uma vida melhor do que a média.

Uma infância pobre onde a criança não teve as necessidades básicas plenamente satisfeitas (alimentação, roupas, lazer e etc.) pode ser também bastante prejudicial. De tanto ouvir: Não pode; não temos; não dá; não é pra você; não é para nós (e as vezes até 'quem você pensa que é pra querer isso ou aquilo, pensa que é melhor que os outros, pensa que é rico?) a criança cresce e vai internalizando cada vez mais que ela não pode e não merece acesso a certas coisas.


Avalie a si próprio. Sente dificuldade em receber presentes? Precisa presentear ou fazer algo de volta pela pessoa para ficar em paz? Consegue receber elogios de forma natural ou precisa minimizá-los ou  retribuí-los na mesma hora? Quando há uma possibilidade de ganhar algo de bom (um sorteio, uma promoção no trabalho, uma viagem...) tem uma tendência de deixar para outras pessoas ou você também quer ganhar e aproveitar? Se você conquista uma situação melhor (maior salário, vida mais confortável) precisa justificar pra você mesmo ou para os outros o tanto que você trabalhou para conquistar aquilo? Quando adquire algum bem (carro, casa, roupas) você precisa pensar e justificar para você mesmo ou para os outros que esforçou bastante para se sentir bem com o que adquiriu? Se algo vier muito fácil, você aceita e usufrui tranquilamente, ou aproveita mas com sentimento de culpa?
(...)

Existe ainda a crença do merecimento ligada a questões espiritualistas e religiosas. "Fulano não teve o merecimento para se curar de tal doença". "Eu não tive o merecimento para sair da situação financeira difícil que vem desde a infância." "Se for do merecimento de fulano, ele irá conseguir".  "Se você não saiu ainda dessa situação é porque não é do seu merecimento". Fica simples e conformista demais uma justificativa dessa forma. Desenvolve-se  um sentimento de que, se tem algo negativo, é porque essa pessoa "merece" passar por aquilo, até quando  ninguém sabe. Por muitas vezes isso acaba gerando  uma perpetuação do sofrimento por culpa e auto punição. As vezes as pessoas se tornam passivas e deixam de compreender mais profundamente as razões daquele sofrimento, perdendo também a chance transformá-lo.

Deveríamos aproveitar o exemplo  dos animais que não questionam se merecem algo ou não. Eles sempre aproveitam a abundância. E quando passam por dificuldades fazem o melhor que podem para sair delas, sem se preocupar ou sentir culpa se fizeram ou deixaram de fazer algo para passar por aquilo.

Declare-se merecedor, e vá em busca do que você deseja. Seja persistente até alcançar o que deseja. Se a solução vier rápida e facilmente, aceite e aproveite. Não compre  o título que alguém tente lhe passar de 'não merecedor pois isso acaba apenas criando passividade e culpa. Acredito que todos nós, de forma consciente ou inconsciente demos causa ao nosso sofrimento, ou atraímos ou pelo menos contribuímos para ele. Ainda assim, todos merecem se libertar do sofrimento.

(I) Sonhos Estratégicos

(...) o motivo das pessoas não seguirem ou não conquistarem seus sonhos - a verdade é que a maioria delas não tem sonhos, não sabem o que querem da vida, além do que a sociedade impõe que "devemos" querer.

Saber o que se quer, entretanto, não basta! Sem ação não há realização. Agir sem direcionamento também não resolve. Uma ação aqui, outra ali, outra lá e você desperdiçou um bom tempo sem conseguir resultados concretos.

Identificar seus sonhos e transformá-los em "sonhos estratégicos" é a chave para a construção de uma vida de realizações.

Pode ser que seus sonhos sejam simples, pode ser que sejam grandiosos, não importa.

A vida não tomará conta deles sozinha. É preciso que você saiba o que deve fazer para alcancá-los, ou pelo menos qual o próximo passo. É preciso que você tenha a iniciativa e a proatividade de partir para a ação e também é preciso que você mantenha-se focado seguindo em uma só direção. Com estes 3 elementos alinhados não há o que você não consiga conquistar!

Agora, 95% da humanidade não consegue prosperar pois falha em uma ou todas dessas etapas. Alguns não sabem o que querem ou quais são seus sonhos, outros sabem o que querem mas não sabem o que fazer para chegar lá e mergulhados no oceano de suas obrigações e compromissos acabam esquecendo de seus sonhos. Há ainda aqueles que sabem o que querem, tem uma idéia de como chegar lá, mas mudam constantemente de estrada, não conseguem seguir em linha reta, sentem-se inseguros com relação ao seu próprio caminho, sempre achando que deve haver alguma outra forma de chegar onde querem mais rápida e fácil.

Postura pessoal também tem uma grande influência nos resultados que conseguimos (ou não) alcançar na vida.

(E) Inimigos gratuitos e amigos fortuitos!


Prof. Chafic Jbeili*

O professor entra na sala de aula, escreve o nome no quadro, se apresenta e diz aos estudantes qual a importância de se estudar a matéria proposta, para a qual ele preparou apostila, recortes, slides, dinâmicas, textos complementares, entre outros materiais de apoio. Do nada, um aluno levanta a mão e pergunta: “Ow, você não tinha nada melhor pra fazer do que vir aqui falar sobre esse assunto não?”...

O motoboy atravessou dois bairros inteiros com a velocidade necessária para levar uma pizza ainda quente ao cliente do delivery. Chegou ao endereço do freguês na hora combinada, são e salvo de qualquer acidente de trânsito, e recebe o pagamento! Do nada, um pivete sai de trás do poste e lhe rouba o dinheiro da entrega...

A enfermeira está no plantão há quase 24 horas. Ela ajudou naquele dia salvar duas vidas e cuidou de outras dezenas de pessoas na administração dos remédios prescritos. Seu turno está para vencer e ela precisa descansar para recobrar as forças desgastadas por um dia produtivo de bem ao próximo. Do nada, uma pessoa que acabara de pegar a senha exige atendimento imediato ao companheiro que está passando mal e, aos berros na recepção do hospital retira com uma seringa um pouco de seu próprio sangue contaminado com HIV e sai picando os braços de todos, inclusive da enfermeira que estava no final do plantão...

Esses três casos ilustram outros milhares que acontecem diariamente. Casos que são protagonizados por inimigos gratuitos. Eles surgem do nada, não pedem explicações e apenas desferem em você as suas muitas raivas; suas neuroses mal elaboradas; seus anseios mal saciados; suas carências mal supridas; suas perguntas mal respondidas e a promíscua lembrança do berço que nunca teve. Na melhor das hipóteses sofrem de micro lesão no córtex frontal, tornando-os naturalmente amorais, destituídos de juízo, incapazes de distinguir certo e errado.

Esses tais inimigos gratuitos são indivíduos doentes da cabeça ou da alma; humanos mal desenvolvidos, pessoas mal resolvidas. Eles estão no trânsito, atrás dos postes, nas salas de aula, nos hospitais, nas repartições públicas, na padaria da esquina, nos escritórios e, às vezes, até dentro das igrejas ou da sua própria casa. O prazer deles é satisfazer o desejo perverso em danar a sua vida, sem que haja qualquer motivo aparente. Vítimas de vítimas? Nem sempre! São vítimas de si mesmos! Dignos de dó, intervenção médica e oração por misericórdia; fazer o quê?

Eles surgem do nada! De repente aparecem na estrada quando o pneu do seu carro fura e aproveita pra te roubar; aparecem na recepção do escritório e levam o computador; eles dão conselhos malignos, sugerem o pior caminho, te oferecem emprestar uma arma, te guiam por um atalho que leva à morte, te induz ao estranho e, muitas vezes aparecem apenas para dar um sorriso e dizer “Dessa você não passa!”...

Mas também têm os amigos fortuitos, anjos do céu, enviados por Deus para estender uma mão amiga naquelas horas mais inusitadas. Eles também surgem do nada, de repente aparecem na estrada para te ajudar quando o pneu do seu carro fura; aparecem na recepção do escritório quando você precisa daquela palavra de força; eles dão sábios conselhos, sugerem o melhor caminho, emprestam uma ótima idéia, guiam com retidão no caminho das pedras; defendem você do estranho e, muitas vezes aparecem apenas para dar um sorriso e dizer “Deus é maior! Tenha fé que isso também passará”...

Os amigos fortuitos são indivíduos dotados de almas bondosas, humanos evoluídos, pessoas agraciadas. Eles também estão no trânsito, na frente dos postes, nas salas de aula, nos hospitais, nas repartições públicas, na padaria da esquina, nos escritórios e, na maioria das vezes, até dentro das igrejas ou da sua própria casa. O prazer deles está no desejo nobre em melhorar a sua vida, sem que haja qualquer motivo aparente. São dignos de gratidão e bênçãos multiplicadas, assim seja!

Nesta semana, fique atento aos inimigos gratuitos e não deixe que eles eventualmente ofusquem o brilho de suas idéias e ações, permaneça firme nas suas convicções e projetos, por que para cada inimigo gratuito que por acaso surgir no seu caminho pelo menos três amigos fortuitos hão de surgir providencialmente e lhe servir nas suas necessidades mais imediatas! Você pode acreditar nisto? Eu acredito!

Abraços e boa semana!

(I e M) Gargalo

Tudo na vida tem o que eu chamo de "gargalo". O gargalo é um trecho estreito, difícil e, de certos pontos de vista, até mesmo intransponível. É esse gargalo que mantém boa parte da humanidade na mediocridade de suas vidas sem graça e frustrantes. Para passar pelo gargalo, do que quer que seja, é preciso uma boa dose de determinação, disciplina, coragem, foco e autoconfiança.
 
Quem costuma correr conhece na prática a sensação de "gargalo"! Ao começar a correr ou a praticar qualquer atividade física de alta intensidade, os primeiros 10 a 15 minutos são de morrer!
 
Você tem um impulso quase que incontrolável de parar e voltar para o conforto inicial. Seu corpo não gosta de dificuldade, seu cérebro quer fazer o que o corpo gosta e só mesmo a sua força de vontade é capaz de lhe puxar através dos minutos iniciais. Porém, ao passar pelo gargalo dos primeiros 10 ou 15 minutos, a corrida se torna prazerosa por um certo tempo até que o corpo começa a cansar naturalmente.
 
Esse processo se repete em tudo na vida que exige dificuldades que nosso cérebro se sente preguiçoso demais para enfrentar de boa vontade. Uma dessas dificuldades é o medo do conhecimento desconhecido.
 
Ajuda muito, entretanto, ter essa noção de que ao passar pelo gargalo tudo fica mais fácil. Nenhuma dificuldade é permanente.
 
A melhor forma de superar o medo do conhecimento desconhecido é obter informações. Acumular conhecimento sobre determinado assunto é como acender lâmpadas para iluminar uma grande sala, quanto mais você sabe, mais você consegue enxergar, com mais clareza você consegue ver e compreender o que há para ser entendido sobre o assunto.
 
O grande perigo é se deixar dominar pelo medo do que não se conhece como se isso não pudesse ser superado!
 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

(R) Como os pais podem ajudar na aprendizagem dos filhos

As boas escolas ensinam, mas só quem pode educar para a vida são os pais
Os pais zelosos costumam fazer grandes esforços pela educação de seus filhos. Têm razão. Há poucas áreas da vida de uma pessoa que não são direta e positivamente influenciadas pela sua educação. Estudo aumenta a renda, reduz a criminalidade e a desigualdade de renda, tem impactos positivos sobre a saúde e diminui até o risco de vitimização pela violência urbana. Muitos pais, porém, concentram seus esforços no lugar errado: procuram escolas caras, com instalações vistosas e tecnologicamente avançadas, e entopem seus filhos de atividades extracurriculares. A pesquisa empírica, ainda que esteja longe de poder prescrever um mapa completo de tudo aquilo que os pais podem fazer para que seus filhos cheguem a Harvard, já identifica uma série de fatores importantes (e outros irrelevantes) para o sucesso acadêmico das crianças.

Comecemos pelo início. Ou, aliás, antes dele: na escolha do(a) parceiro(a). As pesquisas revelam que o fator mais importante para o aprendizado das crianças é o nível educacional de seus pais. A escolarização dos pais é mais importante do que a escolarização dos professores (três vezes mais, para ser exato) e do que qualquer outra variável ligada à educação — inclusive a renda dos pais (um aumento de um ano da escolaridade dos pais tem impacto nove vezes maior sobre a escolaridade dos filhos do que um aumento de 10% da renda). Não é que a renda dos pais não seja importante: ela é, sim, em todo o mundo. Mas a escolaridade é mais. Muito do que atribuímos ao nível de renda dos pais é, na verdade, determinado por seu nível educacional, pois pessoas mais instruídas acabam ganhando mais dinheiro.

Nascido o filho, uma boa notícia: não há, que eu saiba, comprovação de que os métodos de aceleração de desenvolvimento cognitivo para bebês, sejam eles quais forem, tenham qualquer impacto. Alguns, como a linha de produtos Baby Einstein, por exemplo, foram recentemente identificados como tendo inclusive uma relação negativa com o desenvolvimento vocabular. As pesquisas também vêm demonstrando que não há correlação do QI de uma criança em idade pré-escolar com seu desempenho futuro (a relação começa a aparecer lá pelos 8 ou 9 anos), de forma que não há razão para desespero se o seu filho não estiver fazendo cálculo infinitesimal antes de abandonar as fraldas.

Não há, igualmente, impactos positivos para os bebês que frequentam creches. Há, sim, impactos significativos e bastante relevantes para as crianças que frequentam a pré-escola. Falaremos mais sobre ela no próximo mês, mas quem puder colocar o filho na pré-escola estará dando um importante empurrão ao desenvolvimento do filho, que perdura a vida toda.

Finda a pré-escola, os pais que têm a sorte de poder colocar seus filhos em escolas particulares deparam com a decisão que parece ser a definitiva: em que escola matricular o rebento? A boa notícia é que essa decisão é bem menos importante do que parece. A má é que o trabalho dos pais não termina depois da decisão de onde colocar o filho. Pelo contrário: a pesquisa mostra que aquilo que acontece dentro de casa é mais importante do que a escolha da escola. Um estudo recente, por exemplo, decompôs a diferença de performance entre escolas públicas e particulares no Saeb, teste educacional do MEC, e encontrou o seguinte: nos resultados brutos, a escola particular tem desempenho 50% acima da pública. Porém, quando inserimos na equação o nível de renda dos pais dos alunos, essa diferença cai para 16%. Dois terços da diferença entre escolas públicas e privadas se devem, portanto, não a fatores da escola, mas do alunado. (Esse estudo e todos os outros mencionados neste artigo estão disponíveis em twitter.com/gustavoioschpe.)

Isso não quer dizer que a escola não importa, obviamente. Ela importa, e muito. Mas as diferenças mais importantes são entre sistemas escolares de países ou regiões diferentes. Dentro do mesmo sistema, em termos de aprendizagem, as diferenças são menos importantes do que a maioria imagina. Para os pais preocupados em escolher a melhor escola possível para o sucesso acadêmico do seu filho, o Enem é um bom sinalizador. Não é uma ferramenta definitiva, já que a participação no exame é opcional, produzindo uma amostra não aleatória, mas é um bom começo. Para escolas com resultados parecidos no Enem, usaria, como critério de “desempate”, as práticas consagradas de sala de aula e os critérios de formação de professores e gestores detalhados na trilogia publicada neste espaço nos últimos meses.

O mais importante que os pais podem fazer, porém, está dentro de casa, diuturnamente. O acesso e o apreço a bens culturais, especialmente livros, são fundamentais. A quantidade de livros que o aluno tem em casa é apontada, em diversos estudos, como uma das mais importantes variáveis explicativas para seu desempenho. É claro que não basta ter livros: é preciso lê-los, e viver em um ambiente em que o conhecimento é valorizado. Alunos que leem mais têm desempenho melhor, importando pouco o que leem: a correlação é observada para livros, jornais e revistas. Alunos que tiveram pais que leram para eles na tenra infância têm melhor desempenho. Pais envolvidos com a vida escolar dos filhos e que os incentivam a fazer o dever de casa têm impacto positivo (curiosamente, o envolvimento dos pais no ambiente escolar tem se mostrado irrelevante). Porém, pais que fazem o dever de casa com (ou pelo) seu filho provocam piora no desempenho acadêmico, por melhores que sejam as intenções.

Morar perto da escola ajuda. Em uma resenha de oito estudos sobre o tema, os oito indicaram relação negativa entre distância casa-escola e aprendizado dos alunos. Talvez essa relação influencie outro detrator do aprendizado: o absenteísmo. Aluno que falta à aula é, em geral, aluno que aprende menos. Outro fator negativo é o trabalho: alunos que trabalham além de estudar aprendem menos. Infelizmente não conheço estudos sobre o impacto do trabalho nos alunos universitários, mas aposto que parte da enorme diferença de qualidade entre as universidades brasileiras e as americanas se deve ao ambiente de dedicação exclusiva que estas conseguem impor aos seus alunos.

Ter computador em casa também tem resultados mensuráveis sobre o aprendizado. Quem pode comprar um que o faça.

Finalmente, falemos sobre aspectos psicológicos. Um dos grandes esforços dos pais modernos é aumentar a autoestima de seus filhos. Na educação, seu impacto é incerto: de catorze estudos analisando o assunto, só em metade se viu relação positiva entre autoestima e aprendizado. Em outro estudo, descobriu-se que o impacto do desempenho acadêmico é três vezes mais importante que a autoestima do jovem do ensino médio para a determinação do seu salário quando adulto.

Os fatores que têm impacto sobre o aprendizado são outros: gostar de estudar, ter maior motivação, aspirações de futuro mais ambiciosas, persistência e consistência são todas variáveis que estão correlacionadas a melhores notas. Os pais não podem incutir em seus filhos todas essas virtudes (e a interessante discussão sobre quanto controle os pais têm sobre o destino de seus filhos é tema para artigo futuro), mas há muito que podem fazer para criar ambientes domésticos mais propícios ao surgimento ou fortalecimento dessas características.

Por fim, duas ressalvas. Ser bom aluno não significa ser feliz ou bom cidadão ou quaisquer outras virtudes que são tão ou mais desejadas pelos pais que o sucesso acadêmico dos filhos. Elas simplesmente não estão mencionadas aqui porque não constituem minha área de estudo. Segundo, talvez falte nessa lista — por ser simplesmente imensurável — aquilo que de mais importante um pai pode dar a seu filho: amor.

(M) Mexa-se

Um dia um burro caiu dentro do poço de um sítio. O animal zurrou piedosamente durante horas enquanto o agricultor pensava numa solução para o retirar dali.
Finalmente o agricultor concluiu que o animal era velho e que o poço deveria mesmo ser tapado. Não valia o esforço, retirar o burro. Convidou todos os vizinhos para o ajudar. Cada um trouxe uma pá e foram deitando porcaria para dentro do poço. Ao princípio o burro percebeu o que estava a acontecer e zurrou desesperado. Depois, para espanto de todos calou-se e ficou quieto.
Após algumas "pazadas", o agricultor decidiu olhar para dentro do poço. Ficou espantado com o que viu. A cada "pazada" que lhe caia em cima, o burro tinha uma atitude interessante. Abanava-se e dava um passo para cima. De cada vez que caía porcaria em cima do animal, este sacudia-se e dava um passo para cima. Num instante, todos se espantaram quando o burro saiu calmamente de dentro do poço e trotou para longe.
A vida vai atirar-te muitas pás com todo o tipo de porcaria. O truque para saíres do poço (leia-se  “merda”) é deixá-la de lado e dar um passo em frente, não fique se revolvendo em meio a ela. Cada um dos nossos problemas é uma pedra para pisar. Podemos sair do mais fundo dos poços apenas por não pararmos, por nunca desistirmos! Sacode e dá um passo em frente.

1. Liberta o teu coração do ódio – perdoa
2. Liberta a tua mente de preocupações – a maioria não acontece
3. Vive de forma simples e aprecia o que tens
4. Dá mais
5. Espera menos

Desfruta da vida... Mexa-se!