segunda-feira, 14 de março de 2011

(R) Educação - Um tesouro a construir

Por João Luiz Martins *

Uma das grandes conquistas do povo brasileiro foi a promulgação da Constituição Federal de 1988. Ela assegura inúmeros diretos aos cidadãos brasileiros, dentre eles um dos mais importantes – O Estado Democrático de Direito. Fazendo jus a este direito os educadores reafirmam que a questão Educacional deve ocupar lugar central, entre as urgências que se impõem à nação brasileira.
O compromisso com a Educação de qualidade para todos os brasileiros passa, não só pela consolidação dos avanços alcançados até aqui, mais ainda por instâncias que levem à construção de um Pacto Nacional pela Educação capaz de assegurar o enfrentamento dos seguintes desafios:
• universalizar o ensino (Educação Infantil até o Ensino Médio);
• superar o analfabetismo;
• melhorar a qualidade da educação;
• ampliar vagas na educação tecnológica e profissional;
• ampliar vagas nas Universidades Federais;
• definir uma política de Estado para o financiamento da educação.
A superação desses desafios requer compromissos efetivos e conseqüente execução de políticas públicas educacionais e uma sinergia entre os entes federados. Assim sendo, faz-se necessária a implantação de um Sistema Nacional de Educação (art. 214 da CF 1988 e deliberado pela CONAE 2010).
Para a sua estruturação devemos considerar três dimensões:
• METAS. Planos Estaduais e Municipais de Educação articulados com o PNE;
• COMPROMISSO. Um regime de colaboração juridicamente constituído entre os entes federados;
• RESPONSABILIDADE. Uma lei de responsabilidade educacional que garanta o cumprimento das metas pelos entes federados.
Para concretizar este sistema, os futuros governantes, parlamentares e a sociedade brasileira precisem assumir os seguintes compromissos:
• Financiamento da Educação (elevar progressivamente até 10% do PIB os investimentos em educação pública). É fundamental que estes investimentos sejam realizados até 2014 (preferencialmente reservar parte deste incremento de recursos para investimentos na qualificação da educação profissional e superior);
• Valorização dos profissionais da educação: aplicar integralmente a Lei 11.738 de 16 de julho de 2008, sobre o piso salarial do professor e criar planos de carreira e remuneração que tornem o magistério uma opção profissional valorizada e atrativa para nossos jovens;
• Gestão Democrática. Prevista na LDB, a gestão democrática e qualificada das escolas brasileiras é uma condição fundamental para a melhoria da qualidade da educação;
• Avaliação e Regulação. Aperfeiçoar e avançar nas práticas avaliativas nacionais que atinjam os setores público e privado. A avaliação precisa ser entendida como um processo contínuo que valorize os docentes e suas práticas, as quais deverão contribuir para a construção de políticas duradouras (avaliar não só os elementos da qualidade pedagógica, mas a consistência do financiamento, a valorização dos profissionais e a gestão da educação);
• Fortalecimento da educação profissional ampliando acesso e oportunidades aos jovens de todas as regiões do Brasil;
• Consolidação da expansão da educação superior tanto presencial quanto a distância, ampliação de matriculas, investimento em projetos de expansão da pesquisa e pós-graduação, ao mesmo tempo ampliação de investimentos para a geração de programas de Estado, e não de governo, que venham a permitir a geração de projetos piloto de extensão para o atendimento da demanda da sociedade, aproximando a educação superior da educação básica, bem como ampliação das políticas de assistência e permanência estudantis.
O panorama da Educação no Brasil aponta para vários desafios e políticas mais efetivas, haja vista que alguns problemas são graves e, portanto necessitam de um verdadeiro pacto nacional para que possamos superá-los. A dimensão da formação docente é um grave problema nacional, pois dos 2 milhões de docentes da Educação Básica, 600 mil não possuem formação superior. As estatísticas demonstram que quanto maior o percentual de docentes sem formação adequada na educação básica menor é o desempenho dos estudantes envolvidos no Ideb. Estes números interferem também na qualidade, haja vista que 34% dos jovens do Ensino Médio e 23% das crianças e jovens do Ensino Fundamental estão atrasados em relação ao período ou série ideal. A valorização do profissional da Educação (professores, técnicos e gestores) com melhores salários e uma carreira atraente é também um dos grandes obstáculos para o sucesso e a melhoria da qualidade da Educação Básica no Brasil.
A Educação Superior no Brasil conta com aproximadamente 87% de Instituições privadas e apenas 11% de Instituições públicas, das quais apenas deste universo 46% são federais. A taxa de sucesso de concluintes, em média, é de 58%, em relação à entrada de estudantes. Tem-se 4,8 milhões de estudantes no Ensino Superior, dos quais 1,2 milhões estão em instituições públicas. Ao contrário do que se pensa no que se refere ao atendimento noturno do ensino superior, 61% dos cursos são ministrados nesse período contra 37% no período diurno. Estes dados apontam para o fato de que a educação superior possui um percentual razoável de cursos para o atendimento de jovens e adultos no período noturno. Entretanto pelo fato de grande número de vagas ser oriundo da Educação Privada, a inclusão, salvo alguns programas como o PROUNI, é preocupante a ponto de ser possível afirmar: existem vagas na Educação Superior suficientes para todos os egressos do ensino médio, mas, é certo que existem outros fatores que contribuem para que estes jovens e adultos estejam excluídos da Educação Superior.
Por outro lado, existem iniciativas positivas e de grande alcance social, como os 300 mil estudantes em formação na Educação Superior, na modalidade a distância. Um outro dado importante é sem dúvida o seguinte: dos 320 mil docentes em exercício na Educação Superior Brasileira (pública e privada) 48% são doutores, o que demonstra que este sistema necessita de uma política mais simétrica (fixados em regiões estratégicas) e menos elitista no que se refere à pós-graduação, a pesquisa e a inovação. Aliado ao potencial de doutores nas Universidades Brasileiras que poderiam contribuir de maneira significativa para a geração de novos conhecimentos e inovação e desta forma contribuir para o desenvolvimento do nosso país, soma-se a necessidade de ampliar na universidade os percentuais de jovens da faixa etária de 18 até 24 anos, que hoje é de aproximadamente 13%, que nos colocaria numa condição de soberania, melhoria da condição social e econômica de várias famílias, sem contar a grande contribuição para a formação de uma nova nação.
A Educação a Distância se apresenta como uma grande alternativa para a formação de jovens e adultos, haja vista as dimensões continentais do nosso país. Além disso, é um grande instrumento para a transformação do tecido social brasileiro. Entretanto, não é suficiente apenas induzir a criação de cursos e a geração de novas vagas para os jovens e adultos excluídos da educação superior presencial através da EaD. Na verdade, é preciso construir novas oportunidades que transformem o ambiente e as novas tecnologias em espaço de reflexão e disponibilizem aos estudantes um melhor convívio acadêmico e pedagógico, de representação estudantil e participação acadêmica. Além disso, é necessária a efetivação de uma política de Estado, na qual o financiamento (com recursos de custeio e capital) seja alocado na Lei de Orçamento Anual (LOA) para as universidades (assim as Universidades poderão não só garantir o atendimento do presente como também planejar o futuro). A política de bolsas precisa ser aprofundada para que possamos garantir, com qualidade, a participação de docentes, técnicos e tutores no processo de ensino-aprendizagem. E, portanto, conceber estratégias e políticas voltadas para o futuro, isto é, para a verticalização da graduação a distância, bem como a regulação do sistema EaD nos mesmos moldes adotados para o ensino presencial, mas, dispensando a atenção necessária às características próprias da modalidade.
Os avanços alcançados nos últimos anos pelo Sistema Federal de Educação Superior atingiram uma dimensão fundamental para o país dar saltos no desenvolvimento social e econômico. Entretanto, a velocidade deste avanço deixou vários problemas sem uma solução definitiva. Com o atendimento destas demandas e conseqüentemente uma política específica para a superação do passivo existente nas IFES, antes do processo de expansão, melhores condições terão as universidades federais para dar seqüência nessa missão de apoiar o país em seu desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida do nosso povo.
Nesta direção, as Universidades têm problemas de maior complexidade que ainda permanecem sem soluções ou parcialmente resolvidos, como:
• construção de uma solução de Estado para o problema dos HUs;
• revitalização e conseqüentemente implementação do Reuni da Pós-Graduação construção de um plano de carreira para os docentes (mais atrativo);
• construção de um modelo de alocação de recursos para as IFES (mais justo);
• institucionalização da EaD;
• criação dos cargos de professores para o Reuni e para o Banco de Professor Equivalente;
• construção de uma política para o reenquadramento dos técnico-administrativos (aposentados);
• ampliação dos recursos para o PNAES;
• ampliação de recursos para a mobilidade acadêmica e a implementação de uma política de internacionalização das IFES;
• revisão dos quantitativos de pessoal e adequação de recursos financeiros definidos para as expansões (antes e depois do Reuni);
• construção de um projeto, em parceria com a ANDIFES, do Reuni-2;
• criação de novas FGs e CDs, além de ajustar os valores praticados para que possamos atender as demandas da expansão;
• construção, em parceria com o INEP, de soluções mais aprofundadas para as questões sobre o ENEM e a metodologia de avaliação do SINAES.
São inúmeros desafios e obstáculos. Entretanto acredita-se que a superação destes problemas e o equacionamento cronológico de outros poderão permitir ao Sistema Federal de Educação Superior, patrimônio do povo brasileiro, colocar-se como protagonista para contribuir para a solução que grandes problemas nacionais assumindo de vez o seu papel transformador junto à sociedade brasileira.
Nos últimos dias o assunto “corte no orçamento de 2011” tem sido matéria predominante nas agências de notícias. Aliado a este problema o sistema aguarda com muita expectativa o envio pelo governo ao congresso nacional do Projeto de Lei de criação de cargos para assegurar as contratações de professores para o Reuni, sem contar que este PL deverá resolver o problema de operacionalização do Banco de Professor-equivalente, garantindo as IFES maior autonomia de pessoal. Acredito que devemos manter a posição de luta contra qualquer tipo de corte para a Educação, ou mesmo para as áreas sociais. Nunca é demais lembrar que cada 1 (um) real investido em educação gera para o país 1,8 reais no PIB; isto é, devemos nos lembrar da importância da Educação para a transformação das pessoas que são responsáveis pela mudança do nosso tecido social. Assim sendo, convocamos a todos para que possamos desencadear um processo de defesa do orçamento para a Educação sem cortes!
Artigo originalmente publicado no site da Andifes
* Reitor da Universidade Federal de Ouro Preto

(R) "RIQUEZA VERSUS EDUCAÇÃO"

Carlos José Marques, diretor editorial

Dois indicadores divulgados na semana passada mostram situações diametralmente opostas de um Brasil ainda repleto de contrastes. O País que teve 30 bilionários nativos incluídos na lista dos homens mais ricos do planeta – pessoas com mais de US$ 1 bilhão de patrimônio pessoal – é o mesmo que não conseguiu incluir sequer uma única universidade entre as 100 mais bem avaliadas por acadêmicos de todo o mundo. E o que é pior: o Brasil aparece na condição de único entre os chamados emergentes sem universidades tidas como “top” no ranking da Times Higher Education – que traz Harvard fi gurando como a melhor dentre elas. Esse paradoxo reforça ainda mais a surrada imagem da “Belíndia” – expressão cunhada décadas atrás pelo ex-presidente do IBGE Edmar Bacha para explicar que o abismo social no Brasil levava o País a se parecer com uma pequena ilha de exuberância econômica do porte da Bélgica cercada pela pobreza da Índia por todos os lados. Lamentavelmente, a imagem ainda vale nos dias de hoje. Um aspecto a destacar nesse quadro de disparidades é que o investimento em educação por parte dos bilionários ocorre com frequência nos chamados países desenvolvidos, enquanto por aqui é pouco ou nada usual. Bilionários têmpapel vital na sociedade em várias partes do mundo e costumam premiar resultados educacionais, um exemplo que deveria ser seguido internamente. De uma maneira ou de outra – seja pela falta de incentivo de nossos governantes, seja pelo baixo engajamento da iniciativa privada –, o fato é que falta preparo na base de nossa economia, na formação de mão de obra qualifi cada, e essa realidade reforça a concentração de riqueza e inibe o surgimento de novos empreendedores e de pessoas capacitadas a usufruir do atual momento da arrancada brasileira. O nó da educação nacional é histórico, secular, mas alcançou um ponto crítico. De tal maneira que o Brasil está atualmente entre as dez nações mais ricas do mundo, enquanto, em relação a investimentos em educação, alcançou apenas a 73a posição. Nos números do PIB, uma pista para entender as razões do problema: embora na média global o investimento em educação gire na casa de 10% do Produto Interno Bruto, a média brasileira não passa de mirrados 3% a 4% do PIB. Esse descaso está custando caro.

(R) Disputa política pode atrasar novo Plano de Educação

Tiririca e manobra da oposição para ficar com PNE garantem holofotes para um tema considerado de menor prestígio

redacao@brasileconomico.com.br

A escolha do palhaço e deputado Tiririca (PR-SP) para integrar a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados (CEC) teve pelo menos um efeito didático. Ao escolher um parlamentar que quase perdeu o mandato por não saber ler e escrever, os líderes partidários jogaram luz sobre um espaço de poder considerado menor nas negociações por postos estratégicos na Câmara. Qual a função dessa instância? Quem faz parte dela? Quais são os interesses em jogo?

Além do humorista, que foi indicado pelo PR para valorizar o passe de seu maior puxador de votos, outros 37 deputados farão parte da Comissão. Historicamente, ela é polarizada em dois grupos diametralmente opostos. De um lado, os representantes dos sindicatos dos professores, e do outro, os donos de instituições de ensino. Pela atual formação, o PT ficou com a prerrogativa de indicar o presidente.

O partido, cujo perfil é mais próximo dos trabalhadores, seguiria com a maioria do grupo. Exceto a polêmica em torno da inusitada escolha de Tiririca - e do ex-atacante Romário (PSB - RJ), que é suplente - tudo caminhava para um desfecho sem surpresas. Mas, deputados da oposição iniciaram uma manobra para tirar da CEC sua jóia da coroa: o novo Plano Nacional de Educação (PNE), documento apresentado pelo governo que estabelece 20 metas para a área até 2020.

A ideia, apresentada pela liderança do PSDB, é criar uma comissão paralela apenas para discutir o PNE. Um técnico da Câmara explica que comissões extraordinárias são usadas, em geral, para agilizar o rito processual de uma lei considerada importante, caso do Plano Nacional de Educação, que ainda terá de passar por outras duas comissões além da CEC antes de chegar ao plenário: a de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça. E o cronograma já está atrasado.

O novo PNE deveria ter entrado em vigor este ano, para substituir o plano anterior, que estabeleceu as metas dos últimos dez anos. Entre as discussões em torno do tema, está, por exemplo, a questão do piso salarial para professores, que hoje é estabelecido à margem do PNE, mas que pode ser integrado a ele.

Os petistas, porém, enxergam motivações menos nobres da manobra da oposição e temem perder espaço em um debate que tem holofotes garantidos. Escolhida para presidir a CEC, a deputada Fátima Bezerra (PT-RN) tinha agendado a posse dos titulares da comissão quando foi informada da estratégia do PSDB. Decidiu, então, adiar a cerimônia e deixar tecnicamente em aberto as vagas.

''Vamos analisa-la (a Comissão Especial) com todo carinho e atenção. A decisão de cria-la ou não depende da CEC, mas da mesa diretora da Casa. Caso ela seja instalada, a preferência seria dada aos integrantes da CEC porque não podemos perder de vista que é a Comissão de Educação que tem a responsabilidade de fazer o debate'', diz Fátima. Porém, nem todos consideram a iniciativa do PSDB ruim.

Paula Louzano, consultora de Educação da Fundação Lemann, diz que os partidos brasileiros não tem tradição de apresentar projetos próprios para a área. ''Quando o Fundeb [Fundo de Manutencao e Desenvolvimento da Educacao Basica e de Valorizacao dos Profissionais da Educacao] foi aprovado, a oposicao foi feita pelos movimentos educacionais'', afirma.

''Nas discussões do Conae [Conferência Nacional de Educação], a linha divergente do governo foi puxada por sindicatos e pelos movimentos. Por isso, pensar que os partidos de oposição querem ter voz sobre os rumos da Educação brasileira é positivo. O problema e o tempo que isto pode levar. Não acho que quanto mais tempo se discute mais democrático é o processo'', afirma Paula. ''E se formos na linha do debate que tivemos sobre o salário mínimo, a oposição só vai emperrar ainda mais um projeto que está atrasado''.

Na agenda da Educação - PNE
O governo federal encaminhou para o congresso um plano com 20 metas para a Educação no país. Elas devem ser cumpridas no prazo de dez anos. O plano anterior, que vigorou até 2010, contava com 295 metas, consideradas ambiciosas demais pelo Executivo. A maior parte das metas da última década nunca se concretizou. O novo plano deve passar por três comissões antes de ser votado.

CEC
A nova Comissão de Educação e Cultura da Câmara (CEC) é responsável por analisar e dar os primeiros pareceres sobre o PNE. A comissão é formada por 32 deputados e 33 suplentes. O PT conta com a maioria das cadeiras — nove deputados. O PMDB conta com cinco titulares, seguido pelo PSDB e DEM, ambos com três deputados cada um. O PSB tem com dois representantes.

Emendas
Insatisfeitas com o formato atual do novo plano de Educação, entidades ligadas ao ensino, como a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Confederação Nacional dos Trabalhadores de Educação (CNTE) e a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, estão encaminhando emendas ao projeto, que devem ser analisados pela CEC ou pela comissão especial que será montada para discutir o tema.

Pauta
A expectativa é que o ano comece para os projetos de Educação em tramitação no Congresso na próxima semana, quando devem ser votadas as MPs 508/10, que abre crédito extra de R$ 968 milhões ao Ministério da Educação para reforço a programas de apoio ao transporte e à alimentação escolares. O governo estima que o PNE demore pelo menos um ano para ser discutido e votado.

Justiça
No próximo dia 17 de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.167 (ADI) que contesta alguns pontos da Lei do Piso dos Professores. Hoje, apesar de o governo federal estipular um piso para a categoria, vários estados não cumprem a lei. Se a Ação for definitivamente julgada em favor dos professores, o valor mínimo terá de ser pago em todo o país.
Fonte: Brasil Econômico (SP)

sábado, 12 de março de 2011

(M) Amor não é algo que se sente. É algo que se faz!


Não é novidade nenhuma afirmar que um dos problemas mais graves e recorrentes em qualquer relacionamento é o da comunicação. A começar pelo significado da dinâmica (sim, porque comunicar-se é como um tango, delicado e profundo ao mesmo tempo!). Muitos casais sequer sabem do que é feita a autêntica e eficiente comunicação.

Comunicar-se com a pessoa amada não inclui somente falar, seja sobre o que pensa, sente ou quer, como a maioria acredita. Inclui especialmente e acima de tudo, ouvir. Mas não ouvir somente com os ouvidos, somente as palavras que estão sendo ditas, somente o que é conveniente.

Para que uma conversa realmente termine bem, ou seja, sirva para resolver pendências, amenizar crises e solidificar o amor, seus interlocutores devem ouvir com todo seu ser, incluindo sensibilidade, intuição e a firme decisão de - por mais difícil que seja - compreender o que o outro está pensando, sentindo e querendo!

Mas por que isso parece mesmo tão difícil? Simplesmente porque aprendemos que conversas entre casais que discutem alguma divergência têm de virar briga, onde cada um deve tentar falar mais alto que o outro e provar, a qualquer custo, que está com a razão! Aprendemos, infelizmente, que conversas são como jogos, e servem para mostrar quem é o vencedor e quem é o perdedor! Mas, definitivamente, isso nunca funcionou e nunca vai funcionar!

Simplesmente porque num relacionamento, seja ele de que nível for, não existe um certo e um errado e, sim, dois pontos de vista, dois pedidos, dois sentimentos, duas interpretações, dois universos que, em última instância - e isso posso afirmar com toda certeza do mundo - só querem ser aceitos, amados e felizes!

Mas enquanto um e outro falarem como se disparassem flechas em direção ao alvo, enquanto tentarem impor seus desejos e repetirem frases-feitas do tipo "com você, não dá para conversar", "você nunca me ouve", "você é um egoísta-cabeça-dura", não vão chegar a um consenso, muito menos à paz que tanto desejam (mas não sabem como alcançá-la).

Parece mesmo paradoxal essa vontade de viver um grande amor, cheio de alegrias e aquela harmonia de quando estavam completamente apaixonados e, ao mesmo tempo, essa estranha e angustiante fome de discussão, desentendimento e embate pelos motivos mais bobos, pelas razões mais infantis, por questões que, no fundo, na maioria das vezes, não têm nem metade da importância que se dá a elas durante uma briga.

A impressão que fica é que, em algum momento da história, solidificou-se a idéia - completamente equivocada e ineficaz - de que amor é isso: uma queda de braços, um interminável vai-e-vem de destilar a própria raiva à custa do outro para, em seguida, arrepender-se e fazer as pazes. Mas acontece que isso só serve para desgastar a relação, acumular mágoas e amontoar frustrações.

O que sobra? Cada qual no seu limite, a sensação de que não vale mais a pena. Pronto: este é o começo do fim! Um fim medíocre, sem uma razão que realmente o valha, mas - ao mesmo tempo - com todas as razões que foram - irresponsavelmente e pelos dois - cavadas, acumuladas e amontoadas dia após dia!

Talvez você diga: "eu bem que tento conversar, mas o outro não tem condições"! Ok, mas você tenta quanto? Até o outro dar a primeira resposta torta e grosseira e você pensar: "ah, mas não vou mesmo ficar aqui ouvindo isso", e daí aumenta o tom de voz o máximo que pode para deixar bem claro que você tentou, mas que com ele é impossível? Ou, talvez, simplesmente desiste da conversa e sai, alegando sua superioridade?

Assim, pode estar certo de que não vai funcionar! Se você realmente deseja se entender com quem ama, tente mais! Tente até o fim. Não aumente o tom de voz, fale com calma e repita, quantas vezes forem necessárias, que você deseja compreendê-lo. Para tanto, faça perguntas, peça para que ele explique como está se sentindo, por que reagiu de tal forma, enfim, esmiúce detalhe, interesse-se de verdade pela dor do outro e tenha a certeza de que isso, sim, é amor!

Mais do que declarar o que você sente, mostre! Afinal, pode apostar: Amor não é algo que se sente. É algo que se faz!

(M) Um dia pra chamar de seu!

Prof. Chafic Jbeili - chafic.jbeili@gmail.com

Olá, como vai?

Escrevi outros artigos expressando minha opinião sobre datas comemorativas. Apontei alguns dias cuja celebração não passa de artimanha consumista, sem fundamento  mais nobre para a sua instituição. Mas também ressaltei algumas datas cuja lembrança é fundamental. Uma dessas datas que concordo com a distinção no calendário é o
Dia Internacional da Mulher, ao lado do Dia das Mães, entre outras datas realmente memoráveis.

Não é o caso, por exemplo, do Dia do Evangélico. Uma manobra política para lançar o nome de um deputado no cenário nacional, causando uma incoerência com os ensinamentos cristãos e sem qualquer necessidade  a não ser o de se acumular mais um dia sem trabalho no calendário da turba apóstata.


Mais do que um fato de importante proporção social, um dia para ser especial no calendário precisa conter, na minha opinião, uma causa que justifique sua razão de ser.  O Dia da Mulher tem todos os ingredientes que uma data precisa para ser memorável.

Na revolução insdustrial, com a contratação em massa de mão de obra feminina as mulheres trabalhadoras eram submetidas a péssimas condições de trabalho, incluindo exaustiva jornada de 16 horas diárias e remuneração equivalente a 1/3 do salário de um trabalhador do sexo masculino.

Por suas constantes reivindicações o movimento tomou corpo de insurreição e em 8 de março de 1857 130 tecelãs grevistas foram queimadas na fábrica onde trabalhavam em Nova York. Além desse fato, a história registra em 1917 um movimento de mulheres russas que também militavam por melhores condições de trabalho, além de tentar  persuadir  Lenin a não entrar na primeira grande guerra.

Desde a antiguidade até o século passado as mulheres ocupavam espaço secundário na vida social. Elas eram como "acessórios" de reis, imperadores e estadistas. No Oriente elas não podiam entrar nas sinagogas, suas orações não eram aceitas; e os sacerdotes fariseus oravam a Deus agradecendo por três coisas:  Por não ser gentio, por não ser escravo, e por não ter nascido mulher. Alguns grupos nômades enterravam  vivos seus recém-nascidos do sexo feminino, alegando que mulheres atraem forasteiros para roubá-las e escravizá-las, enquanto meninos era sinal de "bênçãos" do Senhor.

As mulheres foram e até os dias de hoje ainda são subjugadas pela sociedade, pelos seus patrões e até pelos seus consortes. O dia 8 é exatamente para não esquecermos disso e, ao contrário, zelar para que homens, mulheres, crianças e idosos tenham uma vida digna, sem distinção de raça, cor ou credo religioso.    

Poderia citar outras várias razões pelas quais acredito ser digno de distinção o Dia Internacional da Mulher, estabelecido em 1975 pela ONU com base em uma série de fatos e eventos de grande relevância social, mas o pouco aqui lembrado é mais do que suficiente àqueles que são amigos da justiça, da paz e das boas virtudes.

A escolha do dia oito também foi femininamente providencial, embora seja o mesmo dia da grande queima daquelas operárias grevistas, observo que o próprio número oito (8), dentre os numerais arábicos, é o mais parecido com a mulher, em suas formas curvilíneas aviolonadas. é um número forte, gracioso, completo; quando visto na horizontal simboliza o infinito, tal qual são as emoções, capacidade criativa, inteligência e potencial das mulheres.

As Nações, os órgãos Públicos, o Setor Privado e o Terceiro Setor, ao contrário daqueles estúpidos e ignorantes americanos que queimaram suas operárias, descobriram que a mão de obra feminina é menos braçal, porém, mais diligente, mais meticulosa, mais glamorosa, mais humana e, portanto, com muito mais qualidade de operacionalização e finalização de processos sendo inúmeras vezes mais produtiva e rentável para todos. As estatísticas atestam esse perfil da mão de obra feminina quando apontam que atualmente mais de 53% dos cargos executivos no Brasil tem uma mulher no comando. A mulher é atualmente o gênero com maior escolaridade e, portanto, a categoria melhor preparada para prospecção funcional em todas as áreas.

Seja no acabamento da construção civil, na direção de um taxi ou de um caminhão, no serviço de limpeza e manutenção; seja como noviça, freira, missionária ou pastora; seja como secretária, supervisora, coordenadora, diretora ou professora; seja como executiva do lar, coach empresarial ou presidente do Brasil, aqueles que reconhecem o valor da mulher de bem, sabem a sorte que tem por tê-las por perto.

Nada mais justo às mulheres de bem terem um dia para chamar de seu! Parabéns a todas mulheres de bem pelo Dia Internacional da Mulher, comemorado todo dia 8 de março, desde 1975.

Com flores,

Prof. Chafic Jbeili
www.unicead.com.br

sexta-feira, 4 de março de 2011

DESABAFO DO SD PM, Weitom 2º Cia ROTAM


Há cerca de dezenove anos, um garotinho segurado pela mão por sua mãe, aguardava que o semáforo da Avenida Afonso Pena, esquina com a Rua Espirito Santo, abrisse para que ambos atravessassem em direção ao ponto de ônibus localizado próximo à igreja São José, no qual embarcariam em direção a sua casa. O trânsito fluia com certa dificuldade já que eram aproximadamente dezenove horas e coincidia que várias pessoas estavam retornando para suas respectivas casas, em uma confusão que mais tarde seria apelidada por horário de pico. Alheio a confusão, o garotinho não se importava, pelo contrário, observava e contava os veículos que se deslocava lentamente diante de seus olhos até o número dez, em seguida retornava ao número um, pois havia acabado de completar cinco anos e só aprendera a contar até dez. O garotinho repetia incassavelmente este processo, como é peculiara às crianças quando estão se divertindo, e a cada série perguntava para sua mãe qual era mesmo o número que vinha depois do dez. Sua mãe com um olhar materno desvendava-lhe a vida dizendo que era o onze e que depois vinha o doze, seguido do número treze, quatorze, o quinze e assim, dizia ela, os números seguem em fila infinitamente. Depois da resposta de sua mãe o garotinho voltava a contar os veículos até o décimo. Após a quarta contagem o sinal finalmente abriu, o garotinho como havia aprendido com sua mãe que quando o sinal ficasse verde poderia atravessar, se chateou, pois por ele, ficaria ali a noite inteira contando carros, pois estava se divertindo com as variadas cores e modelos de veículos sendo dirigidos por vários e variados rostos. Neste momento, sua mãe que arriscara atravessar parou e segurou firme a mão do garoto. Ato contínuo ouviu-se ao longe um barulho intenso e agudo. Esse barulho foi se intensificando e à medida que se aproximava do cruzamento, os demais veículos buzinavam uns para os outros e percebia-se um ar de preocupação e ansiedade nos rostos, até então abatidos e cansados dos motoristas dos veículos fitados pelo garoto. O garotinho, segurado por sua mãe, se perguntava por que as pessoas estavam paradas dos dois lados da avenida e no canteiro central sendo que o sinal estava na cor verde. Perguntava-se, também, porque os carros se dirigiam para as laterais das pistas e se amontoavam sendo que o sinal, para eles, ainda continuava vermelho.

Foi então que surgiu de um estreito entre um ônibus e o canteiro central, com duas rodas na pista de rolamento e duas rodas no passeio do canteiro central, refletindo uma luz que parecia iluminar todos os cantinhos da cidade até os mais escondidos, um carro que o menino nunca tinha visto. Não pelo seu tom de cinza e branco ou pelo seu motor barulhento e sim pela energia que trazia consigo em suas manobras ágeis e agerridas além de uma cirene intensa cujo som falava aos corações das pessoas presentes na rua: Fiquem tranquilos, pois estamos aqui para protegê-los! O garotinho não sentiu medo, pelo contrário, seus olhos brilharam mais intensamente e naquele fim de tarde ele conseguiu contar DEZESSETE Viaturas policias, imponetes, agerridas, destemidas e incomparáveis passarem diante de seus olhos. Na ocasião ele pode observar dois detalhes, o primeiro era que os militares no interior das viaturas, transmitiam um ar de orgulho, segurança, confiança, honra e prazer por fazerem parte daquele grupo e pareciam externar esses sentimentos colocando seus braços para fora da viatura, todos com boinas MARRONS e com feições fechadas e confiantes. O Segundo detalhe o garotinho percebeu na porta da viatura, tratava-se de umas letrinhas de cor vermelha que o garotinho não pode decifrar, mas que sua mãe, percebendo a ansiedade e interesse do garoto, externadas pelo olhar incandescente, desvendou com voz baixa ao ouvido de seu filho e mais uma vez com ar materno e ourgulhosa disse-lhe: ...”Está escrito ROTAM meu filho, e esses são, abaixo de Deus e juntamente com outros bons policiais militares espalhados pelo estado, os guadiões de Minas Gerais”. Depois do ocorrido, os anos que não param passaram e o garoto seguiu o curso natural da vida, cresceu, estudou e se preparou muito e adivinhem onde ele orgulhosamente serve como policial militar do Estado de Minas Gerais? 



SD PM, Weitom 2º Cia ROTAM


Muito se tem falado do meu batalhão nos últimos dias e eu, apaixonado que sou por esse patrimônio do povo mineiro, sinto-me engasgado e triste ao ouvir insanos formadores de opiniões cogitarem em rede estadual e nacional de televisão a extinção deste que é estatisticamente o melhor batalhão da policia militar de Minas Gerais, essa que é apontada como sendo a melhor e mais bem preparada do Brasil. Falsos boatos de milícia, grupo de extermínio, envolvimento com caça-níqueis estão sendo veículados pela parte irresponsável da mídia que preferem o ibope à dignidade. A este bando de carniceiros digo: Quando os portões dete batalhão se fecharem para sempre e o orgulho de seus integrantes em serem ROTAM forem dobrados e alocados perpetuamente no fundo de suas gavetas, juntamente com suas eternas boinas marrons, a sociedade mineira perderá a mão que ao lado da mão de Deus procura protegê-la dos cardos resultantes das mazelas cententárias deste estado.